A mulher do metro
A mulher sentada à porta do metro vestia como vestiam todas as mulheres do campo há uns anos atrás. Saia abaixo dos joelhos, blusa escura e um lenço atado na cabeça. Tanto podia vir da Beira interior, do Alentejo mais agreste ou dos confins da Roménia. Tinha um rosto sofrido, um olhar ausente e um pequeno cartaz feito de um papel pardo e sujo:
Ajudem-me por favor.
Tenho fome.
Sou portuguesa.
A última frase ficou-me na cabeça. Seria uma simples afirmação, ou existiria um significado mais profundo e oculto para meditarmos sobre ele? Suspeito que sim.

